Pode se afirmar que uma boa gestão de pessoas, ou sua implicância direta no sucesso de uma empresa, passa necessariamente pela condição de liderança do gestor. Nas grandes corporações, a prática já está bem definida e compreendida. Na Medicina Veterinária, entretanto, somente nos últimos anos a palavra gestão começou a ser pronunciada, e na grande maioria dos estabelecimentos (clínicas e hospitais) veterinários, apesar da presença do conceito, a prática de boa gestão com líderes de fato, muitas vezes pode não ser aplicada adequadamente.

 

Se quisermos relacionar como essa conduta pode levar ao incremento e melhora importante no aproveitamento das oportunidades existentes, é fundamental que as regras básicas de gestão sejam praticadas. Como sabemos, o comprometimento e o envolvimento geram harmonia, que por sua vez direciona o foco para o crescimento saudável e sustentável de um todo. Para que esse objetivo seja alcançado, terá que necessariamente passar por uma gestão eficaz e profícua das pessoas de uma determinada equipe. Nesse cenário, o líder se torna um elo essencial.

 

O líder deve ser capaz de extrair de seus colaboradores o engajamento completo (já que não existe meio engajamento), e junto com isso, desmistificar o desafio de capacitar e envolver seus funcionários para que o ápice se mostre no objetivo proposto pela empresa. Um equívoco muito comum é confundir “recursos humanos” com “gestão de pessoas”. O primeiro é aspecto técnico e o segundo trabalha no emocional e capacidade de transformar a condição técnica num resultado humanizado, produtivo e salutar.

 

Para exemplificar, vamos tratar de um case de sucesso recente. No meu atual cargo, logo de chegada percebi que tínhamos problemas sérios na linha de frente da empresa, mais especificamente na recepção. Tomamos a frente do problema e propusemos sugestões aos demais membros da diretoria, que prontamente nos deram carta branca para implementarmos novos traçados.

 

Após um tempo, foi percebida uma mudança em vários setores, como por exemplo o aumento das vendas do pet shop, que de um percentual de 10% foi para 16% em relação ao faturamento total. Além disso, houve significativa melhora de avaliação de percepção dos clientes com relação ao serviço e entre as próprias recepcionistas, mensurada em uma pesquisa anônima anual de engajamento.

 

Aquilo que era um complicador do bom atendimento e consequentemente péssima resposta para a organização, se tornou um ótimo balizador daquilo que se apregoa na teoria: a boa gestão das pessoas, seu envolvimento, treinamento e capacitação melhoraram o desempenho das pessoas envolvidas.

 

Autor Fábio Henrique Dequeche
Médico veterinário, com MBA em Gestão de pessoas e liderança, hoje diretor do Hospital Veterinário Santa Mônica em Curitiba-PR e diretor de eventos na ABHV.