Paga ou Morra: o que tem por traz disso?

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS HOSPITAIS VETERINÁRIOS manifesta-se acerca de reportagem do Jornal Correio de Salvador.
A Associação Brasileira dos Hospitais Veterinários-ABHV, que congrega estabelecimentos veterinários da área de animais de companhia, como Clínicas, Hospitais e Centros de diagnóstico, vem a público esclarecer e repudiar alguns fatos publicados no Jornal “Correio” de Salvador, no dia 17 de outubro desse ano, onde fez uma reportagem intitulada “Paga ou morre? O que está por trás dos custos de serviços veterinários.”
Em primeiro lugar, respeitamos a liberdade de expressão e da imprensa como um todo. Entretanto, o que colocaremos no texto abaixo baseia-se em notícias publicadas no Correio de Salvador.
A parcialidade e falta de evidências desta reportagem nos gera muita indignação e repúdio, quando em seu texto afirma, baseado em depoimentos de alguns responsáveis por animais, que o custo do tratamento é responsabilidade do Médico Veterinário e quase culpando-o pelas doenças que os animais sofrem.
Cabe ressaltar que a Medicina Veterinária, como o próprio nome diz, baseia-se em conhecimento técnico da área médica e se vale da ajuda de exames complementares para exercer com maestria e assertividade o saber da prevenção de doenças e a cura dos animais confiados a nós. Aliás mais que isso, o Médico Veterinário, não é simplesmente um “tratador” de cães ou gatos. No exercício da nossa profissão, na área de clínica médica e cirúrgica de animais de companhia exercemos o bem-estar dos animais e da família a qual pertencem esses seres. Esse conceito, de saúde integrada, de Saúde Única, nos coloca como uma das profissões mais importantes do mundo para a saúde da sociedade em geral.
Nos estranha, qual o objetivo da reportagem em que ao mesmo tempo que faz apologia aos Médico Veterinários como mercenários, há notada publicidade de planos de saúde destinados ao atendimento veterinário.
É sabido que os Médicos Veterinários exercem essa profissão com brilhantismo e a ABHV não aceita e não tolera por parte de quem quer que seja, macular a nossa profissão, nos chamando de incompetentes, quando afirma que pedimos exames desnecessários ou quando diz que fazemos cirurgias desnecessárias e por aí afora.
Vale lembrar que a maioria de nossos estabelecimentos estão num regime tributário onde a carga de impostos sobre serviços e a renda são extremamente pesadas, os encargos sobre nossos funcionários são muito onerosos e nossos insumos, especialmente os hospitalares apresentam-se altíssimos especialmente quando buscamos a excelência. Pagamos IPTU, ISS, INSS, PIS, COFINS, IRPJ, CSLL, entre outros impostos, para ter os melhores funcionários, prestadores de serviços médico veterinários ou CLTs; médicos veterinários custam muito as nossas estruturas.
Mais ainda, equipamentos como Rx, Ultrassom, Tomógrafos, Ressonância, equipamentos laboratoriais são investimentos de uma vida, custam milhares ou milhões e uma parte destes gastos são puramente para manter a qualidade do nosso serviço e melhoria na busca diagnóstica.
Não temos e não vivemos de subsídios, fazemos por amar a arte médica veterinária e pelo amor aos animais, mas é a nossa profissão, precisamos ganhar e pagar bem para sobrevivência. Em nossa atividade, a condição técnica de tratamento e cuidados com os pacientes, muito pouco se difere da Medicina Humana, e ainda temos em nossa classe um dos maiores índices de depressão, “Burnout” e suicídios por excesso de carga de trabalho e envolvimento emocional.
Sim, o nosso cliente, tutor ou responsável pelo seu animal de estimação, considerado filho em sua grande maioria, quando chega até nós para um atendimento, temos o dever de usar todo nosso conhecimento na área clínica e solicitar conforme a necessidade e disponibilidade todo e qualquer exame complementar, e partir de uma avaliação estritamente técnica propor e indicar o melhor tratamento, que diga-se de passagem, sempre será do tutor ou responsável a aceitação do tratamento proposto, nada e nunca será forçado impositivamente, como sugere a matéria.
De acordo com o nosso código de ética pelo CFMV (Conselho Federal de Medicina Veterinária), nenhum paciente nosso em estado de emergência pode ser deixado sem atendimento médico, independente da condição financeira do tutor.
A sociedade talvez não saiba que o que fazemos como filantropia, amor e dedicação sem nada receber em troca, como atendimentos, internações, cirurgias, são feitos com as “portas fechadas”!
A ASSOCIAÇAO BRASILEIRA DOS HOSPITAIS VETERINÁRIOS tem seu posicionamento no sentido de que haja meios de dar assistência aos tutores de baixa renda e aos animais em condições de abandono e risco, não através de posicionamentos “eleitoreiros” de montar Hospitais Públicos Veterinários, e sim através de Centro de Controle de Zoonoses (CCZs), utilização da centenas de faculdades de veterinária para atendimento, pois além de beneficiarem os desassistidos, geraria casuística para os estudantes serem melhores qualificados.
Por fim a ABHV repudia veementemente a desqualificação da nossa profissão feita pelo jornalista, como se fossemos mercenários e que estamos empenhados em nos locupletarmos em momentos difíceis ou de emergência no atendimento.
A Medicina Veterinária do Brasil na área de animais de companhia, é uma das melhores do mundo e segue as tendências internacionais de padrão qualidade. Há que se perceber que preços são bem diferentes de valores e estamos cada vez mais empenhado em praticar uma Medicina Veterinária baseada em evidências e com muito cuidado na Jornada do paciente.